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INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS

por aparecidamaria, em 27.03.13

                     Inteligências Múltiplas no Ensino das Ciências: do Ensino à Aprendizagem

 

Maria Aparecida Borgato

 

 

 

Mestrado em Educação

Aréa de especialização em Supervisão Pedagógica em Ensino das Ciências

 

 

 

Trabalho desenvolvido no âmbito da Unidade Curricular: Investigaçãoem Supervisão Pedagógicaem Ensino das Ciências

 

 

 

Sob a orientação da Professora Doutora Laurinda Leite

 

Universidade do Minho

Instituto de Educação e Psicologia

2008

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 18:22

PROJETO " TITULO INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS"

por aparecidamaria, em 27.03.13

                                                        

 

RESUMO DO PROJECTO

 

 

No início do século XX, as autoridades francesas solicitaram a Alfredo Binet que criasse um instrumento pelo qual se pudesse prever quais as crianças que teriam sucesso nos liceus parisenses. O instrumento criado por Binet testava a habilidade das crianças nas áreas verbal e lógica, já que os currículos acadêmicos dos liceus enfatizavam, sobretudo o desenvolvimento da linguagem e da matemática. Este instrumento deu origem ao primeiro teste de inteligência, desenvolvido por Terman, na Universidade de Standford, na Califórnia: o Standford-Binet Intelligence Scale.

Subseqüentes testes de inteligência e a comunidade de psicometria tiveram enorme influência, durante este século, sobre a idéia que se tem de inteligência, embora o próprio Binet (Binet & Simon, 1905 Apud Kornhaber & Gardner, 1989) tenha declarado que um único número, derivado da performance de uma criança em um teste, não poderia retratar uma questão tão complexa quanto a inteligência humana. Neste projeto, pretendo apresentar uma visão de inteligência que aprecia os processos mentais e o potencial humano a partir do desempenho das pessoas em diferentes campos do saber.

As pesquisas mais recentes em desenvolvimento cognitivo e neuropsicologia sugerem que as habilidades cognitivas são bem mais diferenciadas e mais espcíficas do que se acreditava (Gardner, I985). Neurologistas têm documentado que o sistema nervoso humano não é um órgão com propósito único nem tão pouco é infinitamente plástico. Acredita-se, hoje, que o sistema nervoso seja altamente diferenciado e que diferentes centros neurais processem diferentes tipos de informação ( Gardner, 1987).

Howard Gardner, psicólogo da Universidade de Hervard, baseou-se nestas pesquisas para questionar a tradicional visão da inteligência, uma visão que enfatiza as habilidades lingüística e lógico-matemética. Segundo Gardner, todos os indivíduos normais são capazes de uma atuação em pelo menos nove diferentes e, até certo ponto, independentes áreas intelectuais. Ele sugere que não existem habilidades gerais, duvida da possibilidade de se medir a inteligência através de testes de papel e lápis e dá grande importância a diferentes atuações valorizadas em culturas diversas. Finalmente, ele define inteligência como a habilidade para resolver problemas ou criar produtos que sejam significativos em um ou mais ambientes culturais.

ÍNDICE

                                                                                            

 

RESUMO DO PROJECTO

 

I

CONTEXTUALIZAÇÃO TEÓRICA E NA REALIDADE BRASILEIRA.

4

 

1.1.

O que é a Inteligência.........................

4

 

1.2.

Howard Gardner.............

6

 

 

1.2.1.

A Teoria das Inteligências Múltiplas.........................

6

 

 

1.2.2.

Curiosidade sobre Inteligências Múltiplas no Brasil...

9

 

 

1.2.3.

Inteligências Múltiplas e suas Implicações......

10

 

1.3.

AS INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS......................

12

 

1.4.

INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS E A CIÊNCIA..........

17

 

 

1.4.1.

Inteligências Múltiplas e Neuropsicologia.......

17

 

 

1.4.2.

A Perspectiva Biopsicológica............

18

 

 

1.4.3.

As Novas Inteligências.........................

20

 

1.5.

 

EDUCAÇÃO E APRENDIZADO............

21

 

 

1.5.1.

Capacidade de Concentração..................

21

 

 

1.5.2.

Inteligência e Aprendizagem......................

22

 

 

1.5.3.

Inteligências Múltiplas e o Construtivismo...

24

II

OBJETIVOS DO ESTUDO.............................

26

III

IMPORTÂNCIA DO ESTUDO..................................

27

IV

METODOLOGIA.......................................................

28

V

CALENDARIZAÇÃO.....................................................

29

VI

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.........................

30

VII

ANEXOS……………

31

 I – CONTEXTUALIZAÇÃO TEÓRICA NA REALIDADE BRASILEIRA

 

1.1.     O que é a Inteligência

 

Inteligência é a capacidade de aprender, compreender e até mesmo adaptar-se facilmente a uma situação ou a algo novo. Buscando uma definição clara e aprofundada dessa Faculdade, acompanhamos o texto de Edênio Valle (1997):

“Como seres inteligentes, não poderíamos deixar de nos perguntar sobre a natureza dessa capacidade aparentemente exclusiva de entender, raciocinar, ordenar e inventar. Capacidade que implica não só a compreensão das coisas e do mundo, mas de nós próprios. Na antigüidade, os gregos, os egípcios, os hebreus, os hindus e também os povos chamados primitivos tinham alguma interpretação da inteligência humana.

O senso comum define a inteligência como a capacidade para aprender, resolver problemas, entender situações inéditas, inventar e fazer relações em nível sempre mais abstrato.

No início do século XX, sob o impacto da recém-inaugurada ciência psicológica, tais interpretações perderam o tom mítico-religioso ou filosófico. Passaram a ser uma investigação analítica e empírica do comportamento e da capacidade inteligente em seu desdobramento e globalidade.

Os ingleses e norte-americanos realizaram um ingente esforço. Desenvolveram maneiras criativas de avaliar as capacidades mentais de crianças a adultos através de testes padronizados, de dificuldade gradativa, com quesitos aptos a explorar as diversas facetas do pensamento humano. Voltava-se para problemas de aritmética, raciocínio verbal, conhecimentos gerais, relações espaciais, provas de vocabulário, etc. Tais quesitos, aplicados a milhares e milhares de crianças, em condições controladas, receberam cuidadoso tratamento estatístico, do qual emergiram facetas convergentes, mas distintas, da atividade inteligente.

Devido ao procedimento estatístico utilizado, estas facetas passaram a ser designados como fatores. A inteligência humana seria, nesta visão, composta de vários fatores que interagem. Alguns testes captam melhor os amplos, como o fator geral, mais ligado ao raciocínio lógicoabstrato e importante para qualquer tipo de solução de problemas. Outros testes são mais específicos. Medem aspectos parciais, como o verbal, importante na comunicação e expressão verbal, ou o fator espacial, importante na percepção das relações espaciais entre objetos e conjuntos”.

Segundo estudos feitos por Howard Gardner (1994) sobre inteligência e cognição ficou claro a existência de alguns pontos fortes ou competências intelectuais diferentes, cada um dos quais pode ter sua própria história desenvolvimental. A revisão de uma pesquisa recente em neurobiologia novamente sugeriu a presença de áreas no cérebro, que correspondem, pelo menos aproximadamente, a determinadas formas de cognição. E estes mesmos estudos implicam numa organização neural que prova ser hospitaleira à noção de diferentes modos de processo de informação. Pelo menos nos campos da psicologia e da neurobiologia, o Espírito do Tempo parece estar aparelhado para a identificação das diversas competências intelectuais humanas.

Mas a ciência jamais pode proceder de forma completa indutiva. Poderíamos realizar os testes e experiências psicológicas concebíveis ou esquadrinhar toda instalação e neuroanatômica que desejássemos e ainda assim não teríamos identificado as procuradas inteligências humanas.

Aqui, nos confrontamos com uma pergunta não sobre a exatidão do conhecimento, mas, antes, sobre como o conhecimento é obtido. É necessário avançar uma hipótese ou uma teoria e então testá-la. Apenas quando os pontos fortes – e limitações – da teoria tornam-se conhecidos à plausibilidade do postulado original torna-se evidente.

Então se torna necessário dizer, de uma vez por todas, que não há e jamais haverá uma lista única, irrefutável e universalmente aceita de inteligências humanas.

Porque, então, prosseguir neste caminho precário? Porque há necessidade de uma melhor classificação de todas as competências intelectuais humanas da que temos agora; porque há muitas evidências recentes surgindo de pesquisas científicas, observações interculturais e estudos educacionais que precisam ser revisados e organizados; e talvez, acima de tudo, porque parece que podemos apresentar uma lista de pontos fortes intelectuais que provarão ser úteis para uma ampla gama de pesquisadores e profissionais e os capacitará a nos comunicarmos mais eficazmente sobre esta curiosamente sedutora entidade chamada intelecto. Em outras palavras, a síntese que buscamos jamais pode ser a resposta geral para todas as pessoas, mas promete oferecer algumas coisas para muitos interessados.

 

1.2.     Howard Gardner

 

Howard Gardner é professor de Educação e co-diretor do Projeto Zero, no Harvard Graduate School of Education, e professor adjunto de Neurologia na Boston University School of Medicine. É autor de inúmeros livros, incluindo “Estruturas da Mente”, “A Criança Pré-Escolar: como pensa e como a escola pode ensiná-la” e, mais recentemente, “Mentes que Criam”. Em 1981, Gardner recebeu o Mac Arthur Prize Fellowship e, em 1990, tornou-se o primeiro americano a receber o Louisville Grawemeyer Award in Education.

Psicólogo construtivista influenciado por Piaget, Gardner é professor especializado em educação e neurologia. Em 1983, ele e uma equipe de pesquisadores divulgaram a teoria de inteligências múltiplas, questionando a visão predominante de inteligência centrada nas habilidades lingüísticas e lógico-matemáticas. Para Gardner, a inteligência consiste na habilidade para resolver problemas ou criar produtos que sejam significativos em um ou mais ambientes culturais. Na teoria, são identificados nove "tipos" de inteligência. Em cada pessoa, tais inteligências se combinam de forma diferente. Na educação, a teoria de inteligências múltiplas implica o desenvolvimento de avaliações que sejam adequadas às diversas habilidades, a criação de currículos específicos para cada saber; um ambiente educacional mais e amplo e variado. Gardner é um crítico implacável dos testes de QI e de aptidão escolar. É considerado um dos principais pedagogos deste final de século.

 

 

1.2.1.       A Teoria das Inteligências Múltiplas

 

A Teoria das Inteligências Múltiplas foi elaborada a partir dos anos 80 por pesquisadores da Universidade Norte-Americana de Harvard, liderados pelo psicólogo Howard Gardner. Sua origem é interessante. Acompanhando o desempenho profissional de pessoas que haviam sido alunos fracos, Gardner se surpreendeu com o sucesso obtido por vários deles.

O pesquisador passou então a questionar a avaliação escolar, cujos critérios não incluem a análise de capacidades que, no entanto, são importantes na vida das pessoas. Concluiu que as formas convencionais de avaliação apenas traduzem a concepção de inteligência, limitada à valorização da competência lógico-matemática e da lingüística. Gardner demonstrou, porém, que as demais faculdades também são produtos de processos mentais e que não há motivos para diferenciá-las do que se geralmente considera inteligência.

Assim, segundo “uma visão pluralista da mente”, ampliou o conceito de inteligência única para o de um feixe de capacidades. Para ele, “inteligência é a capacidade de resolver problemas ou elaborar produtos valorizados em um ambiente cultural ou comunitário”.

O psicólogo estabeleceu vários critérios para que uma inteligência seja considerada como tal, desde possível manifestação em todos os grupos culturais até a localização de sua área no cérebro. Ele próprio identificou nove inteligências, mas não considera esse número definitivo.

A Teoria das Inteligências Múltiplas, de Howard Gardner (1985) é uma alternativa para o conceito de inteligência como uma capacidade inata, geral e única, que permite aos indivíduos uma performance, maior ou menor, em qualquer área de atuação. Sua insatisfação com a idéia de QI e com visões unitárias de inteligência, que focalizam, sobretudo as habilidades para o sucesso escolar, levou Gardner a redefinir inteligência à luz das origens biológicas da habilidade para resolver problemas. Através da avaliação das atuações de diferentes profissionais em diversas culturas, e do repertório de habilidades dos seres humanos na busca de soluções, culturalmente apropriadas, para os seus problemas, Gardner trabalhou no sentido inverso ao desenvolvimento, retroagindo para eventualmente chegar às inteligências que deram origem a tais realizações. Na sua pesquisa, Gardner estudou também o desenvolvimento de diferentes habilidades em crianças normais e crianças superdotadas; adultos com lesões cerebrais e como estes não perdem a intensidade de sua produção intelectual, mas sim uma ou algumas habilidades, sem que outras habilidades sejam sequer atingidas; populações ditas excepcionais, tais como idiot-savants e autistas, e como os primeiros podem dispor de apenas uma competência, sendo bastante incapazes nas demais funções cerebrais, enquanto as crianças autistas apresentam ausências nas suas habilidades intelectuais; como se deu o desenvolvimento cognitivo através dos milênios.

Gardner sugere, ainda, que as habilidades humanas não sejam organizadas de forma horizontal; ele propõe que se pense nessas habilidades como organizadas verticalmente, e que, ao invés de haver uma faculdade mental geral, como a memória, talvez existam formas independentes de percepção, memória e aprendizado, em cada área ou domínio, com possíveis semelhanças entre as áreas, mas não necessariamente uma relação direta.

Howard Gardner diz que todas as pessoas têm múltiplas inteligências. Estas podem ser desenvolvidas e fortalecidas, ou ignoradas e enfraquecidas. Ele diz, atualmente, que cada indivíduo tem nove inteligências.

A Teoria das Inteligências Múltiplas, um resultado do empenho para se conhecer as capacidades cerebrais é uma nova concepção científica sobre a mente, uma visão pluralista, que reconhece diferentes facetas de cognição. Segundo essa teoria, todo ser humano, excluídos os casos de lesões cerebrais, possui potencialidade a serem desenvolvidas de diversos tipos de inteligência, entendendo-se inteligência como a capacidade de resolver problemas ou elaborar produtos valorizados em um ambiente cultural ou comunitário. A resolução de problemas inclui a habilidade de comunicações de idéias e emoções, que não precisam necessariamente ocorrer através da comunicação verbal, da inteligência lingüística.

A pesquisa feita a partir de uma perspectiva fundamental em aspectos psicológicos e biológicos, constata que embora as inteligências sejam inatas e façam parte da natureza humana como os olhos ou coração, é a partir das relações com o ambiente e com a cultura, que o homem desenvolve mais algumas e deixa de aprimorar outras. Gardner defende que estas gamas de habilidade não são fixas por Deus, mas construída por homens e mulheres. Um potencial biopsicológico, que depende de estímulos culturais para ser desenvolvido. Conforme esclarecimento do pesquisador, a idéia das inteligências múltiplas é antiga e ele não pretende reivindicar a sua autoria, mas sim o fato de organizar esses conceitos e sistematizálos a partir de novas descobertas sobre o cérebro humano.

Nesta nova visão, as conceituadas inteligências lógico-matemática e lingüística são apenas parte de um espectro muito mais amplo. Há capacidades importantes para a vida humana, tanto do ponto de vista de realização pessoal quanto profissional, que não são desenvolvidas nas escolas. Gardner não fala mais de uma inteligência, mas de um feixe de inteligências, onde a lógica-matemática e lingüística são colocados na mesma condição das demais. É inteligente quem administra um hotel, quem cura alguém, quem faz um poema, quem possui auto conhecimento, quem constrói um computador, quem sabe se guiar numa floresta.

Na sua teoria, Gardner propõe que todos os indivíduos, em princípio, têm a habilidade de questionar e procurar respostas usando todas as inteligências. Todos os indivíduos possuem, como parte de sua bagagem genética, certas habilidades básicas em todas as inteligências. A linha de desenvolvimento de cada inteligência, no entanto, será determinada tanto por fatores genéticos e neurobiológicos quanto por condições ambientais.

A noção de cultura é básica para a Teoria das Inteligências Múltiplas. Com a sua definição de inteligência como a habilidade para resolver problemas ou criar produtos que são significativos em um ou mais ambientes culturais, Gardner sugere que alguns talentos só se desenvolvem porque são valorizados pelo ambiente. Ele afirma que cada cultura valoriza certos talentos, que devem ser dominados por uma quantidade de indivíduos e, depois, passados para a geração seguinte.

Segundo Gardner, cada domínio, ou inteligência pode ser visto em termos de uma seqüência de estágios: enquanto todos os indivíduos normais possuem os estágios mais básicos em todas as inteligências, os estágios mais sofisticados dependem de maior trabalho ou aprendizado.

 

 

1.2.2.      Curiosidade sobre Inteligências Múltiplas no Brasil

 

Um curioso incidente que aconteceu em nosso país antes da Copa do Mundo de 1958. O Brasil possuía seu primeiro psicólogo esportivo, João Carvalhaes, que atendia a seleção brasileira de futebol. O psicólogo resolveu aplicar em todos os jogadores testes de QI. Garrincha, que estava no apogeu de sua carreira, após responder os testes ficou sabendo que seu quociente intelectual era irrisório, sendo classificado como débil mental. Por este motivo quase foi impedido de participar da Copa. (MODERNELL, 1992).

Ninguém duvida do talento que possuía este atleta quando se encontrava no meio de um gramado com a bola nos pés. Todavia, o teste psicométrico de inteligência indicava Garrincha como uma pessoa sem grandes chances de ser bem sucedido em sua vida, o que não correspondeu à realidade. Fica claro que os testes de QI predizem apenas como vai ser o desempenho escolar e não o sucesso profissional depois de concluída a instrução formal.

É dentro desta perspectiva que Gardner apresenta a teoria das Inteligências Múltiplas (IM). Os testes de QI medem apenas as capacidades lógica e lingüística, capacidades que normalmente são as únicas exigidas e avaliadas pelas escolas e, sem dúvida, as capacidades mais valorizadas em nossa sociedade. Gardner pretende considerar também as outras capacidades, as outras "inteligências" menos lembradas, para analisá-las em sua teoria.

Para selecionar quais as inteligências que seriam trabalhadas em sua teoria foram utilizadas diversas fontes: as informações disponíveis sobre o desenvolvimento normal e o desenvolvimento do indivíduo talentoso; estudos sobre populações prodígios, idiotas sábios, crianças autistas, crianças com dificuldade de aprendizagem; dados sobre a evolução da cognição; considerações culturais comparadas sobre a cognição; estudos psicométricos; estudos de treinamento psicológico e principalmente análise da perda das capacidades cognitivas nas condições de lesão cerebral. Cada inteligência deveria ter uma operação nuclear ou um conjunto de operações identificáveis e deveria também ser capaz de ser codificada em um sistema de símbolos. (GARDNER, 1995).

 

 

1.2.3.      Inteligências Múltiplas e suas Implicações

 

Para Gardner, reduzir a inteligência às capacidades intelectuais é um erro, pois se pode falar com segurança de pelo menos sete tipos de inteligências diferentes: lingüística, lógicomatemática, corporal-cinestésica, musical, visual-espacial, interpessoal (em relação aos outros), pessoal (em relação a si mesmo).

Segundo ele, essas inteligências são nove jeitos diferentes de conhecer o mundo, e a maior ou menor aptidão para cada uma delas define um perfil de cada aluno, de cada pessoa. As idéias de Gardner recebem muitas críticas de psicólogos. Uma delas é que, ao se "enraizar" as aptidões intelectuais em nove grupos predefinidos, esquece-se do enorme papel que o meio pode ter, ao abrir diversos caminhos de desenvolvimento. A crítica mais comum é do tipo "Por que não 10, 15, 18 tipos de inteligência?" Outros dizem que Gardner confunde "inteligência" com "habilidade", o que empobrece o conceito. A maioria dessas objeções é abordada pelo próprio Gardner em seus livros.

Para a pedagogia, mais preocupada com possíveis aplicações práticas do que com o rigor acadêmico, essa teoria é muito atrativa, especialmente porque Gardner comanda um projeto de escola experimental na Universidade de Harvard (Projeto Zero), por meio do qual tenta verificar na prática as conseqüências de suas idéias para a educação.

Em sua escola, a música, a dança, a dramatização, o desenho não são considerados apenas novas "matérias" que vêm enriquecer e equilibrar o currículo, mas também estratégias didáticas para o ensino de conteúdos mais tradicionais, procurando respeitar os possíveis diferentes modos de aprender. Trabalhos em equipe e realização de projetos, criação, apreciação e crítica de obras de arte, auto-avaliação e concepção da escola como uma pequena comunidade são outras das características do projeto pedagógico de Gardner.

Não que essas idéias sejam absolutamente originais. O próprio Gardner faz questão de deixar claro que, em termos de aplicação à educação, sua teoria leva a práticas que já foram em grande parte introduzidas desde o início do século, pelo menos por pedagogos ligados ao movimento da Escola Progressiva (conhecida também como Escola Nova).

Assim como acontece no caso da Teoria da Inteligência Emocional, a Teoria das I.M. de Gardner parece dever parte de seu sucesso à capacidade de agregar em torno de si um grande descontentamento com uma educação excessivamente preocupada com a transmissão de conteúdos intelectuais.

Uma escola que admita a influência, em sua concepção de trabalho, da teoria das inteligências múltiplas, certamente poderá introduzir inovações interessantes em suas práticas, oferecendo mais oportunidades para que cada aluno encontre rumos próprios para seu crescimento.

  

1.3.    AS INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS

 

Gardner identificou as nove inteligências a seguir:

1. Inteligência Verbal-Linguística

2. Inteligência Lógico-Matemática

3. Inteligência Musical

4. Inteligência Visual-Espacial

5. Inteligência Corporal-Cinestésica

6. Inteligência Interpessoal

7. Inteligência Intrapessoal

8. Inteligência Naturalista

9. Inteligência Existencial

 

Ele postula que essas competências intelectuais são relativamente independentes, tem sua origem e limites genéticos próprios e substratos neuroanatômicos, específicos e dispõem de processos cognitivos próprios. Segundo ele, os seres humanos dispõem de graus variados de cada uma das inteligências e maneiras diferentes com que elas se combinam e organizam e se utilizam dessas capacidades intelectuais para resolver problemas e criar produtos. Gardner ressalta que, embora estas inteligências sejam, até certo ponto, independentes uma das outras, elas raramente funcionam isoladamente. Embora algumas ocupações exemplifiquem uma inteligência, na maioria dos casos as ocupações ilustram bem a necessidade de uma combinação de inteligências. Por exemplo, um cirurgião necessita da acuidade da inteligência espacial combinada com a destreza da cinestésica.

 

Inteligência Verbal-Linguística: Habilidade para lidar com palavras de maneira criativa. Os componentes centrais da inteligência verbal-lingüística são habilidades verbais bem desenvolvidas e uma sensibilidade para os sons, ritmos e significados das palavras, além de uma especial percepção das diferentes funções da linguagem. É o tipo de capacidade exibida em sua forma mais completa. Quando trabalhada esta inteligência, leva a pessoa a expressar-se com mais clareza utilizando-se da fala e escrita para expressar sua realidade, sonhos e relacionar-se. Manifesta-se na habilidade para lidar criativamente com as palavras nos diferentes níveis da linguagem (semântica, sintaxe), tanto na formal como na escrita, no caso de sociedades letradas. Particularmente notável nos poetas e escritores, é desenvolvida também por oradores, jornalistas, publicitários, vendedores, etc.

Inteligência Lógico-Matemática: Como o nome indica, é a capacidade lógica e matemática, assim como a capacidade científica. O estímulo para seu desenvolvimento estrutura na pessoa novas formas sobre o pensar e uma percepção apurada dos elementos da grandeza, peso, distância, tempo e outros que envolvem ação sobre o ambiente. Habilidade de pensar de forma abstrata e conceitual e a capacidade de discernir padrões lógicos e numéricos. Determina a habilidade para raciocínio dedutivo, além da capacidade para solucionar problemas envolvendo números e demais elementos matemáticos. É a competência mais diretamente associada ao pensamento científico, portanto, à idéia tradicional da inteligência. Como exemplo podemos citar pesquisadores, cientistas, engenheiros, etc.

Inteligência Musical: Habilidade para produzir e apreciar ritmos, tons e timbres e assim a capacidade de entender a linguagem sonora. Está ligado às pessoas que conseguem identificar sons, ler e criar músicas com facilidade, expressando-se através desta linguagem. As pessoas dotadas desse tipo de inteligência geralmente não precisam de aprendizado formal para exercê-las, como é o caso de muitos famosos da música popular brasileira. Para esse tipo de

inteligência citamos os músicos e compositores.

Inteligência Visual-Espacial: Capacidade de pensar em imagens e desenhos, visualizar de forma precisa e abstrata, formar um modelo mental preciso de uma situação espacial e utilizar esse modelo para orientar-se entre objetos ou transformar as características de um determinado espaço. Quando estimulada desperta a pessoa para a compreensão mais ampla de espaço físico e temporal onde vive e convive e sensibiliza para a identificação de suas referências de beleza e fantasia. Ela é especialmente desenvolvida, por exemplo, em arquitetos, ilustradores, artistas plásticos, navegadores, pilotos, cirurgiões, engenheiros, escultores, etc.

Inteligência Corporal-Cinestésica: Habilidade de controlar os movimentos do corpo e de manipular habilmente objetos (cinestesia é o sentido pelo qual percebemos os movimentos musculares, o peso e a posição dos membros). É a capacidade de resolver problemas, comunicar-se ou de elaborar produtos utilizando o corpo inteiro, ou partes do corpo, controlando os movimentos e manipulando objetos com destreza. O estímulo dessa inteligência pode privilegiar dois campos que se complementam: a sensibilidade ampla, ligada a força, equilíbrio, destreza e outras manifestações do corpo como um todo, ou a sensibilidade fina ligada ao tato, paladar, olfato, visão, atenção e outros componentes. Seu estímulo ensina a pessoa à “ver” e não apenas olhar. Atletas, mágicos, dançarinos, malabaristas, mímicos, etc, tem essa inteligência desenvolvida.

Inteligência Interpessoal: Capacidade de detectar e responder apropriadamente aos humores, motivações e desejos dos outros. Compreender outras pessoas: o que as motiva, como elas trabalham, como trabalhar cooperativamente com elas. Buscar a empatia com abertura e controle emocional a fim de responder adequadamente as atitudes, emoções, motivações e desejos das outras pessoas. Esse tipo de inteligência ressalta nos indivíduos de fácil relacionamento pessoal, como líderes de grupos, políticos, terapeutas professores, animadores de espetáculo, etc.

Inteligência Intrapessoal: Capacidade de auto-conhecimento e estar de acordo com seus sentimentos íntimos, valores, crenças e processos de raciocínio. Competência de uma pessoa para conhecer-se e estar bem consigo mesma, administrando seus sentimentos e emoções a favor de seus projetos. É uma capacidade correlativa, voltada para dentro, de formar um modelo acurado e verídico de si mesmo e de utilizar esse modelo para operar efetivamente a vida, ou seja, de buscar o autoconhecimento, tendo uma boa percepção de sua identidade assim como a capacidade de discernir e dominar suas emoções. Auto-estima e auto-aceitação. Muito clara em todas as profissões.

Inteligência Naturalista: Habilidade de reconhecer e categorizar plantas, animais, outdoors e objetos da natureza. Competência do homem de entender o mundo e a natureza, perceber e compreender a sua mortalidade, a vida como um todo e as diferenças entre os diversos tipos de vida existentes no planeta.

Inteligência Existencial: Sensibilidade e habilidade para enfrentar as mais profundas questões sobre a existência humana, tais como o significado da vida, porque morremos, e de onde viemos. Fazer perguntas básicas sobre a vida, a morte, o universo. Capacidade da pessoa em situar-se ao alcance da compreensão integral do cosmos e do infinito, assim como a capacidade de dispor de referências a características existenciais da condição humana, compreendendo de maneira integral o significado da existência, portanto, da vida e da morte, o destino do mundo físico e psicológico e a relação do amor por um outro, pela arte ou por uma causa. Esse tipo de inteligência aplica, nas ações do cotidiano, princípios e valores espirituais, com o objetivo de encontrar paz e tranqüilidade. Envolve a capacidade de encontrar um propósito para a própria vida e de lidar com problemas existenciais (perda, fracasso, rompimentos, etc.).

Com essa descoberta, Gardner quebrou paradigmas e a este respeito Celso Antunes diz:

Esses paradigmas, ainda que não modifiquem os tradicionais conceitos usados para definir “Inteligências”, alteram, e de forma extremamente sensível, a compreensão sobre como aprendemos ou não aprendemos, e principalmente substitui a concepção de que possuímos “apenas uma inteligência “. Derruba-se o mito de que a transmissão de informações pode tornar pessoas receptoras mais inteligentes e descobre-se que, na realidade, abrigamos um elenco extremamente diversificado de “diferentes” Inteligências, sensíveis a estímulos que, se aplicados através de um projeto e nas idades convenientes, altera profundamente a concepção que o ser humano faz de si mesmo e os limites de suas potencialidades.

Gardner definiu os primeiros sete tipos de inteligência em seu livro “Estruturas da Mente”, de 1983, e incluiu as outras duas em seu livro “Inteligência Revista”, de 1999.

Baseando-se em seus estudos de muitas pessoas, com diferentes estilos de vida, em suas profissões e circunstâncias do dia-a-dia, Gardner desenvolveu a teoria das inteligências múltiplas. Ele realizou entrevistas e pesquisa cerebral com centenas de pessoas, incluindo vítimas de derrame cerebral, prodígios, indivíduos autistas e os super dotados, que ele chamou de “idiotas sábios”.

De acordo com Gardner:

• Todas as pessoas possuem todos os 9 tipos de inteligências em graus variados;

• Cada pessoa tem uma composição diferente de inteligência;

• Podemos melhorar o ensino atuando nas múltiplas inteligências de nossos alunos;

• Estes tipos de inteligência estão localizados em áreas distintas do cérebro e podem funcionar de modo independente ou conjunto;

• Estas inteligências podem definir a espécie humana.

 

 

Um caso extremo:

Bill Hewlett, um dos dois fundadores, em 1939, da empresa Hewlett-Packard (HP), que originou a maior concentração de empresas de alta tecnologia existente até hoje, o Vale do Silício, entre San Francisco e San Jose, na Califórnia, era dislético, o que lhe trazia dificuldades com a maioria dos tipos de inteligência identificados por Gardner. Entretanto, tinha em alto grau as inteligências lógico-matemática, intrapessoal e naturalista, o que lhe permitiu ser um dos mais festejados empreendedores do mundo, tendo recebido as maiores honrarias em sua especialidade, sendo Presidente do Instituto dos Engenheiros Eletricistas e Eletrônicos, membro da Academia Nacional de Engenharia, da Academia Nacional de Ciência, etc...

 

 

1.4.    INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS E A CIÊNCIA

 

1.4.1.      Inteligências Múltiplas e Neuropsicologia

 

Uma das fontes para a escolha das inteligências propostas foi o estudo de como tais capacidades falham sob condições de lesão cerebral. Isto pressupõe que cada inteligência possui uma localização cerebral. Assim sendo, uma lesão que incapacitaria determinada inteligência, deixaria as demais intactas.

A região têmporo-paríeto-ocipital é responsável ao mesmo tempo pelas inteligências lógico-matemática, lingüística e espacial. As inteligências pessoais também são comandadas por uma única área: os lobos frontais.

Isto invalida a independência das inteligências que Gardner propõe. Imaginemos uma lesão na região têmporo-paríeto-ocipital. Ela acabaria por afetar três inteligências ao mesmo tempo e não apenas uma.

Além disso, neste caso, os desenvolvimentos das inteligências lógico-matemática, lingüística e espacial não aconteceriam separadamente, mas seriam dependentes entre si. Luria (1981, p. 24-25) desenvolve uma explicação destas áreas como sendo integradoras e essencialmente 22 espaciais. Assim, tanto a matemática quanto a gramática seriam trabalhadas pelo cérebro de uma forma espacial. Uma deficiência espacial tornaria incapazes tarefas de relacionar "espacialmente" os números entre si e construir uma frase trabalhando as relações "espaciais" entre as palavras.

Não se trata das inteligências lógico-matemática e lingüística serem englobadas pela inteligência espacial, mas da aceitação de uma dependência e de uma relação íntima entre determinadas inteligências.

O mesmo ocorre com as inteligências pessoais. É possível perceber que em várias características tais capacidades equivalem-se. Afinal, uma mesma área cerebral é responsável pelas duas. Todo psicoterapeuta conhece e chega mesmo a ser lugar-comum o fato de que só podemos conhecer bem o outro se conhecermos bem a nós mesmos primeiro. Sendo assim uma inteligência interpessoal desenvolvida necessita de uma inteligência intrapessoal também bem trabalhada, o que sugere não existir uma independência entre as inteligências.

 

 

1.4.2.       A Perspectiva Biopsicológica

 

Para falarmos e entendermos a Teoria das Inteligências Múltiplas não podemos esquecer que cada ato cognitivo envolve um agente que executa uma ação ou uma série de ações em alguma tarefa ou domínio. A perspectiva biopsicológica examina o agente e suas capacidades, inclinações, valores e objetivos.

A inteligência é um potencial biopsicológico. O fato de um indivíduo ser ou não considerado inteligente e em que aspectos, é um produto em primeiro lugar de sua herança genética e de suas propriedades psicológicas, variando de seus poderes cognitivos às suas disposições de personalidade.

Segundo Gardner (1998) o talento é sinal de um potencial biopsicológico precoce, em algum dos domínios existentes numa cultura sendo a prodigiosidade uma forma extrema de talento em algum domínio. Mozart, poe exemplo, se qualificou como prodigioso em virtude de seus talentos extraordinários na esfera musical. E os termos especialista e perito são adequados somente depois que um indivíduo trabalhou por cerca de uma década num determinado domínio.

A criatividade é uma caracterização reservada para aqueles produtos que inicialmente são considerados uma novidade dentro do domínio embora acabem sendo reconhecidos como aceitáveis dentro da comunidade adequada.

O termo gênio deve ser designado para aquelas pessoas ou trabalhos que não são só peritos e criativos, mas que também assumem um significado universal ou quase universal.

Na medida em que uma capacidade é valorizada numa cultura, ela pode contar com uma inteligência, mas na ausência desse endosso cultural, a capacidade não seria considerada uma inteligência.

Nos primeiros anos de vida as crianças desenvolvem habilidades simbólicas e conceitos teóricos por meio de interações espontâneas com o mundo na qual vivem. O desenvolvimento inicial é "pré-domínio" e "pré-campo". Elas se desenvolvem apenas com uma vaga atenção aos domínios que existem em sua cultura, e com uma sensibilidade ainda menor à existência dos campos que julgam. Mesmo que o campo fique impressionado com os trabalhos das crianças pequenas, elas prosseguem numa sublime indiferença às operações do campo.

Logo depois que se inicia a escola, as crianças querem conhecer as regras dos domínios e as convenções da cultura, e buscam dominá-las tão rápida e prontamente quanto possível. E assim, para Gardner a existência do domínio, e uma sensibilidade ao campo, surgem como ímpeto.

Este período funciona como aprendizado, um aprendizado rumo à perícia em domínios específicos, um aprendizado rumo à perícia nos hábitos de uma cultura. As condições para uma vida criativa (ou não-criativa) já podem estar sendo criadas, pois a criatividade depende imensamente de traços de personalidade e disposição, e dos acidentes da demografia.

As idades de 15 e 25 anos representam o momento da verdade no desenvolvimento da matriz de talento. Suas inteligências estão sendo desenvolvidas a serviço do funcionamento normal, produtivo, de sua atual sociedade.

Por volta de30 a35 anos a situação fundamental na matriz de talento provavelmente já foi determinada.

Aí chega-se a perguntas cruciais: O que pode ser feito para estimular o talento? Que tipos de desempenhos ou realizações extraordinárias são desejadas?  As crianças em diferentes idades possuem necessidades diferentes, respondem a diferentes formas de informação cultural e assimilam conteúdos com diferentes estruturas motivacionais e cognitivas, logo os tipos de regimes educacionais planejados pelos educadores precisam levar em conta esses fatores desenvolvimentais. Os tipos de modelos educacionais que são oferecidos às crianças podem demonstrar a direção que elas poderão tomar, podendo ser encorajadas ou não para a perícia, criatividade, etc. Em nossa sociedade pode haver modelos contrastantes sobre os usos do talento e as maneiras pelas quais ele pode ser desenvolvido.

Qualquer tipo de talento jamais pode ser adequadamente conceitualizado como existindo unicamente na cabeça ou no corpo dos indivíduos. Os educadores devem manter em mente os fatores extrapessoais que desempenham um grande papel no desenvolvimento(ou impedimento) do talento.

 

 

1.4.3.       As Novas Inteligências

 

"Uma lista de 700 inteligências seria proibitiva para o teórico e inútil para o praticante. Conseqüentemente, a teoria das IM tenta articular apenas um número manejável de inteligências que parecem constituir tipos naturais". (GARDNER, 1995, p.45) Esta foi à resposta dada pelo autor da teoria das inteligências múltiplas quando perguntado o que impediria a construção de novas inteligências: elas poderiam deixar de ser 9 e tornarem-se 700!

Porém surge a impressão de que o próprio autor está caminhando contra o que afirmou ao apresentar as "novas" inteligências naturalística, espacial e existencial. Tendo em vista as inúmeras capacidades humanas, por que a escolha arbitrária de algumas delas em detrimento de outras? Se o objetivo era tornar as inteligências manejáveis estando elas em número limitado de modo que o uso prático da teoria possuísse maior eficácia, a adoção de novas inteligências somente dificultaria este processo.

Se Gardner apresenta novas inteligências, nada impede que outras inteligências sejam descobertas – ou criadas – por outros autores. Isto seria muito interessante. Desde que, sejam feitos estudos sérios como os já vistos, tudo é bem vindo. Assim poderemos entender cada vez melhor o mistério da mente humana.

 

1.5.         EDUCAÇÃO E APRENDIZADO

 

1.5.1.       Capacidade de Concentração

 

Não existe uma inteligência geral e sim múltiplas inteligências, o cérebro humano também não abriga uma memória geral e sim formas de memorização e competências de concentração subordinadas a cada uma das inteligências.

Freqüentes esquecimentos, estados de permanente desatenção, queda vertical no rendimento escolar ou no trabalho, muitas vezes, são sinais de distúrbios que se situam além desse limites e que podem ser tributados a duas causas: estresse ou um problema neurológico conhecido como distúrbio de déficit de atenção (DDA). Estima-se que de5 a8% das crianças em idade escolar apresentam esse problema, muito difícil de ser detectado por exames neurológicos comuns, mas que ganha novas perspectivas com o Tavis-2, um sistema de testes computadorizados.

Em termos de memorização pode-se dizer que, se o que se aprende não é ligado a algo que se conhece, essa aprendizagem permanecerá no cérebro apenas por algum tempo, que será tanto menor quanto menos essa relação for repetida.

Ao construir um conceito, a pessoa não o memoriza, apenas transforma esse conceito em instrumento de ação para elaborar conexões mais elevadas e, dessa forma, resolver problemas.

A seguir, algumas regras para o estímulo das memórias lingüística, espacial e lógico-matemática, como um meio denotador de uma aprendizagem significativa:

  • Motivar, fazer sentir a necessidade do “querer”, não fragmentar o texto e apenas repetir mecanicamente suas partes.
  • Criar imagens mentais que associem as idéias a serem memorizadas a conhecimentos anteriores, pois o novo se constrói com base no anterior, seja para ampliá-lo, negá-lo ou superá-lo.
  • Fazer associações aparentemente grotescas que envolvam as idéias-chave do conteúdo, uma vez que o conhecimento é estabelecido no sujeito por sua ação sobre o objeto e essa ação será tanto mais efetiva quanto mais perceptiva for  e quanto mais eficientemente se produzir o movimento empírico=abstrato=concreto.
  • Associar aos conceitos imagens gráficas e pictóricas, rabiscar com formas o todo em suas partes constituintes.
  • Treinar com freqüência a elasticidade de suas diferentes memórias e imaginar que a mesma ação repetitiva que um exercício físico exerce para melhorar seu desempenho também ocorre com exercícios estimuladores de diferentes memórias.

A identificação de múltiplas memórias permite a aceitação de que não podemos ser ótimos em todas mas podemos melhorar nosso desempenho em cada uma delas e, mais ainda, que, tão importante quanto memorizar alguns dados, é também aprender a esquecê-los quando necessário.

O grande desafio de uma educação consciente consiste em selecionar o que deve ser lembrado, mas também o que deve ser esquecido. Uma memória colossal pode ser um fardo terrível para o ser humano.

 

 

1.5.2.      Inteligência e Aprendizagem

 

Percebe-se a importância da associação da eficiência do ensino com a compreensão de como se processa a aprendizagem, e descobre-se que, sem a aprendizagem, o ensino não se consuma. Essa posição ressalta o valor da perspectiva construtivista da aprendizagem e redefine o papel do professor, não mais um informador que, detendo o conhecimento, transmite-o aos alunos, mas um efetivo colaborador desse aluno, que leva este último a tomar consciência das necessidades postas pelo social na construção de seus conhecimentos com base no que já conhece. Em síntese, o papel do novo professor é o de usar a perspectiva de como se dá a aprendizagem, para que, usando a ferramenta dos conteúdos postos pelo ambiente e pelo meio social, estimule as diferentes inteligências de seus alunos e os leve a se tornarem aptos a resolver problemas ou, quem sabe, criar “produtos” válidos para seu tempo e sua cultura.

As implicações da teoria de Gardner para a educação são claras quando se analisa a importância dada às diversas formas de pensamento, aos estágios de desenvolvimento das várias inteligências e à relação existente entre estes estágios, a aquisição de conhecimento e a cultura.

A teoria de Gardner apresenta alternativas para algumas práticas educacionais atuais, oferecendo uma base para:

a) o desenvolvimento de avaliações que sejam adequadas às diversas habilidades humanas (Gardner & Hatch, 1989; Blythe Gardner, 1 990)

b) uma educação centrada na criança c com currículos específicos para cada área do saber (Konhaber & Gardner, 1989); Blythe & Gardner, 1390)

c) um ambiente educacional mais amplo e variado, e que dependa menos do desenvolvimento exclusivo da linguagem e da lógica (Walters & Gardner, 1985; Blythe & Gardner, 1990)

Quanto à avaliação, Gardner faz uma distinção entre avaliação e testagem. A avaliação, segundo ele, favorece métodos de levantamento de informações durante atividades do dia-a-dia, enquanto que testagens geralmente acontecem fora do ambiente conhecido do indivíduo sendo testado. Segundo Gardner, é importante que se tire o maior proveito das habilidades individuais, auxiliando os estudantes a desenvolver suas capacidades intelectuais, e, para tanto, ao invés de usar a avaliação apenas como uma maneira de classificar, aprovar ou reprovar os alunos, esta deve ser usada para informar o aluno sobre a sua capacidade e informar o professor sobre o quanto está sendo aprendido.

Gardner sugere que a avaliação deve fazer jus à inteligência, isto é, deve dar crédito ao conteúdo da inteligênciaem teste. Secada inteligência tem um certo número de processos específicos, esses processos têm que ser medidos com instrumento que permitam ver a inteligência em questãoem funcionamento. Para Gardner, a avaliação deve ser ainda ecologicamente válida, isto é, ela deve ser feita em ambientes conhecidos e deve utilizar materiais conhecidos das crianças sendo avaliadas. Este autor também enfatiza a necessidade de avaliar as diferentes inteligências em termos de suas manifestações culturais e ocupações adultas específicas. Assim, a habilidade verbal, mesmo na pré-escola, ao invés de ser medida através de testes de vocabulário, definições ou semelhanças, deve ser avaliada em manifestações tais como a habilidade para contar histórias ou relatar acontecimentos. Ao invés de tentar avaliar a habilidade espacial isoladamente, deve-se observar as crianças durante uma atividade de desenho ou enquanto montam ou desmontam objetos. Finalmente, ele propõe a avaliação, ao invés de ser um produto do processo educativo, seja parte do processo educativo, e do currículo, informando a todo momento de que maneira o currículo deve se desenvolver.

 

1.5.3.      Inteligências Múltiplas e o Construtivismo

 

O construtivismo é um paradigma aberto para ajudar o sujeito a construir experiências que possam ajudá-lo a resolver problemas. Sugere que o sujeito é sempre o centro da produção da aprendizagem, que ele a constrói por meio de múltiplas interações.

O uso de metáforas tem a função de transporte de relações significativas entre um contexto antigo e um novo. É a linha de integração entre pensamentos, é uma transação e uma cooperação entre idéias e contextos.

É imprescindível o uso de jogos como recurso pedagógico, pois o “faz-de-conta” inerente aos jogos contribui para a compreensão dos novos conteúdos que se pretende desenvolver.

Essa construção se manifesta em três momentos significativos: a síncrese (visão caótica do todo), a análise (abstrações que ordenam o caos) e a síntese (totalização das relações).

É nesse contexto que deve ser colocada a aprendizagem, desde a alfabetização até o ensino universitário. Já dizia Paulo Freire que é impossível conceber a alfabetização como a leitura da palavra sem admitir que ela é, necessariamente, precedida de uma leitura de vida, do mundo ao redor. Em geral, a escola, e não somente a escola brasileira, sempre pareceu desejar apagar do cérebro e do corpo da criança uma outra linguagem que é a sua maneira de perceber a vida, o tempo e o mundo que a cercam. Esse desapego pelos conteúdos existenciais inerentes à criança apresenta custos altos e, muitas vezes, irreversíveis, pois significa desprezar a astúcia, a criatividade espacial, a inventividade e os signos desenvolvidos pela infância para se defender de um mundo adulto que, muitas vezes sem perceber, tudo faz para oprimi-la.

O papel do professor é trabalhar essas informações e essa realidade para construir novas imagens. No processo de interação entre o aluno e o objeto a ser conhecido (conteúdos), são construídas representações que se orientam para a lógica dos outros, faz sentido para o sujeito que dessa lógica se apropriou.

Tanto por palavras quanto por sua ação pedagógica, o professor deve levar o aluno a descobrir que o erro não é uma falta grave, uma limitação ou incapacidade, mas um momento legítimo inerente a toda aprendizagem. O erro, em sala de aula ou na execução de uma tarefa escolar eqüivale, mais ou menos, ao ato de, ao procurarmos alguma coisa, olharmos primeiro à direita, em busca do objeto que, na verdade, estava colocado à esquerda.

A prática construtivista no estímulo da múltiplas inteligências, portanto, requer que a escola se transforme em um espaço de formação e de informações em que a aprendizagem de conteúdos, a formação de conceitos, o desenvolvimento de habilidades e a avaliação das tarefas relevantes possam favorecer a interação do aluno na sociedade em que vive e onde necessita aprender a conviver.

Em síntese, a ação construtivista de um professor aproxima seu trabalho do de um poeta. As idéias de Nilson Machado mostram essa aproximação: “A sensibilidade e a competência do professor em estabelecer tais pontes, levando em consideração a rede de significados preexistente no universo, aproxima seu trabalho efetivamente de uma dimensão poética, que sobrepuja os aspectos meramente técnicos de seu fazer; se uma imagem vale mais do que mil palavras, justamente porque pode promover articulações que somente muitas palavras podem lograr, uma proporção analógica, como um poema em ponto pequeno, pode articular inúmeras imagens, inspirando conexões muitas vezes inesperadas.

 

  1. 2.       OBJETIVOS DO ESTUDO

 

2.1.         Objetivo Específico

  • Caracterizar as inteligências dos alunos de ambientes étnico-culturais diversificados; (teste - procurar na literatura como é que tem sido feito)
  • Analisar o modo como os professores de ciência trabalham e alunos que possuem inteligências diferentes; (observar, gravar aulas)
  • Caracterizar o conhecimento dos professores relativamente as inteligências múltiplas e ao modo como lidam com elas? (questionário)

 

2.2.         Objetivo Geral

 As perguntas de investigação acima citadas serão respondidas com as seguintes questões:

  • Será que os professores de ciências tiram partido da diversidade de inteligências dos seus alunos? Ou será que os professores de ciências usam estratégias adequadas ao desenvolvimento de inteligências relevantes para a aprendizagem destas disciplinas 

 

III – IMPORTÂNCIA DAS INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS

 

 

No que se refere à educação levanta-se dois pontos importantes. O primeiro diz respeito ao fato de que, se os indivíduos têm perfis cognitivos tão diferentes uns dos outros, as escolas deveriam, ao invés de oferecer uma educação padronizada, tentar garantir que cada um recebesse a educação que favorecesse o seu potencial individual. O segundo ponto levantado por Gardner é igualmente importante: enquanto na Idade Média um indivíduo podia pretender tomar posse de todo o saber universal, hoje em dia essa tarefa é totalmente impossível, sendo mesmo bastante difícil o domínio de um só campo do saber.

Assim, se há a necessidade de se limitar a ênfase e a variedade de conteúdos, que essa limitação seja da escolha de cada um, favorecendo o perfil intelectual individual.

Quanto ao ambiente educacional, chama-se a atenção para o fato de que, embora as escolas declarem que preparam seus alunos pare a vida, a vida certamente não se limita apenas a raciocínios verbais e lógicos. Ele propõe que as escolas favoreçam o conhecimento de diversas disciplinas básicas; que encorajem seus alunos a utilizar esse conhecimento para resolver problemas e efetuar tarefas que estejam relacionadas com a vida na comunidade a que pertencem; e que favoreçam o desenvolvimento de combinações intelectuais individuais, a partir da avaliação regular do potencial de cada um.

 

 

IV – METODOLOGIA

 

 

Este trabalho visa identificar as inteligências multiplas na sala de aula, através de três etapas: inventário, onde serão diagnosticadas as diferentes inteligências do alunos; uma filmagem em sala de aula e uma entrevista com o Professor do 8º ano, o qual se tentara descobrir o grau de conhecimento dele do referido assunto, da seguinte forma:

Inventário - Serão identificadas as inteligências através de questionário, em turma de 8º ano do Ensino Fundamental, onde os alunos responderão todas as questões. Logo após o resultado deste, será feito um gráfico apresentando a percentagem dos resultados obtidos na sala de aula, representando as inteligências distribuidas entre os alunos e destacando a mais evidenciada.

Filmagem – Onde será detectado a metologia utilizada pela professora dessa turma (8º ano) no Ensino da Disciplina de Ciências, observando a capacidade de ensinar e detectar as diversas inteligências de cada aluno, o tipo de avaliação aplicada

Entrevista – Feita com a Professora, onde serão feitas perguntas tentando identificar o seu conhecimento sobre as Inteligências Múltiplas, e se ela o tiver, se saberia como utilizar dentro da sala de aula para obter sucessos escolares, fazendo com que os alunos consigam um aprendizado mais elevado do habitual reconhecido pela atual metodologia educacional.

 


V – CALENDARIZAÇÃO

 

 

VI – REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

GARDNER, Howard. Inteligências Múltiplas: a teoria na prática. Porto Alegre: Artes Médicas,1995

ANTUNES, Celso. As inteligências múltiplas e seus estímulos. São Paulo: Papirus, 1998.

ANTUNES, Celso. A Teoria das Inteligências Libertadoras, Petrópolis, RJ, Vozes, 2000.

ANTUNES, Celso. Como Desenvolver as Competências em Sala de Aula, Petrópolis, RJ, Vozes, 2001. Fasc. 8.

ANTUNES, Celso. Como Desenvolver Conteúdos Explorando as Inteligências Múltiplas, Petrópolis, RJ: Vozes, 2001. Fasc. 3.

ANTUNES, Celso. Jogos para a Estimulação das Múltiplas Inteligências, 6ª ed. Petrópolis, RJ, Vozes, 1998.

GOLEMAN, Daniel. Inteligência Emocional: A Teoria Revolucionária que Redefine o que é ser Inteligente. 27ª ed. Objetiva. 1995.

GAMA, Maria Clara S.S., A Teoria das Inteligências Múltiplas e suas Implicações para Educação. http://www.homemdemello.com.br/psicologia/intelmult.html

LURIA, Aleksandr Romanovich. Fundamentos de Neuropsicologia. 1ª ed. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, Livros Técnicos e Científicos Editora, 1981.

 

 

 

 

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publicado às 18:21

A VIDA TEM SENTIDO?

por aparecidamaria, em 27.03.13

A VIDA TEM SENTIDO?

O sentido da vida está associado a sentimentos de harmonia e felicidade; sem felicidade a vida perde sentido. A felicidade está no centro das nossas vidas e da nossa procura de sentido para a vida.

Não sei se o Universo, com as suas inumeráveis galáxias, estrelas e planetas, tem algum sentido mais profundo, mas é muito claro que nós, humanos que vivemos nesta Terra, nos defrontamos com o objectivo de uma vida feliz.
Dalai Lama, líder político e espiritual tibetano, Voices from the Heart

O propósito da nossa prática espiritual é preenchermos o nosso desejo de felicidade. Todos somos iguais no nosso desejo de sermos felizes e de ultrapassarmos o sofrimento.
Dalai Lama, líder político e espiritual tibetano, Voices from the Heart

Quando a felicidade falha, a existência torna-se uma louca e lamentável experiência.
George Santayana, 1863-1952, filósofo americano, The Life of Reason 

Não será justamente a felicidade o que todos querem, sem excepção? 
S. Agostinho, 354-430, teólogo e filósofo do cristianismo, Confissões

Quando te procuro, meu Deus, estou à procura da felicidade. Procurar-te-ei para que a minha alma viva, porque o meu corpo vive da minha alma, e a minha alma vive de ti. 
S. Agostinho, 354-430, teólogo e filósofo do cristianismo, Confissões

http://www.meaningsoflife.com

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publicado às 16:21

O QUE É MEDO?

por aparecidamaria, em 27.03.13

A VIDA TEM SENTIDO?

O que é o medo?

Medo é um sentimento de grande inquietação ante a noção de um perigo real ou imaginário. Isso mesmo, podemos sentir medo tanto diante de fatos reais, como op que sentimos diante de um cão bravo, como medo de “coisas imaginadas” tais como medo de um “ataque alienígena”, medo de alma penada, medo de duendes, gnomos etc. É um sentimento natural e necessário ao homem. O problema é quando ele começa a causar sofrimento e a prejudicar a vida e a carreira da pessoa. O coração dispara e a respiração se torna ofegante. Ondas de calor percorrem todo o corpo, as mãos tremem e a transpiração é tão intensa que as pessoas logo percebem sua agitação. Você tem tudo na ponta da língua para a reunião, mas, na hora H, mal consegue balbuciar uma ou duas palavras. E aquela sua grande idéia, que você não teve coragem de apresentar ao longo do encontro, é finalmente sugerida por um colega e saudada por todos como a grande solução do problema. A reunião termina e você permanece ali, frustrado e sentindo-se um banana. Uma única pergunta o atormenta: "Por que eu não falei? Por quê?" A resposta não é nenhum mistério. Não falou porque teve medo. Medo das coisas que você imaginou que poderiam acontecer: Medo de que achassem a idéia descabida. Medo de que o considerassem incompetente. Medo de dar vexame. São muitas as histórias de profissionais talentosos que estragaram a carreira por causa do medo, assim como são inúmeros os exemplos de pessoas não tão brilhantes que, por saberem administrar bem seus medos, alcançaram posições de destaque na sociedade. É esta a questão: o problema não é o medo, o problema é não saber administrar o medo. Porque não há nada de errado em sentir medo. Trata-se, aliás, de um sentimento fundamental na vida do se humano. É o medo de sermos atropelados, por exemplo, que nos faz olhar para os dois lados da rua antes de atravessá-la. Da mesma forma, é o medo de não cumprir o prazo dado pelo chefe que nos obriga a concentrar esforços e muitas vezes trabalhar até tarde para dar conta do recado. Até o medo de errar é normal e natural. O problema é quando ele se torna exagerado e vem associado a outros fatores como insegurança, baixa auto-estima e depressão. É nesse estágio que o medo deixa de ser um sentimento primário (como o amor e a raiva), para tornar-se algo mais complexo que necessita de cuidados. http://www.camarabrasileira.com

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publicado às 16:13

Paulo Coelho

por aparecidamaria, em 27.03.13

Podemos acreditar que tudo que a vida nos oferecerá no futuro é repetir o que fizemos ontem e hoje. Mas, se prestarmos atenção, vamos nos dar conta de que nenhum dia é igual a outro. Cada manhã traz uma benção escondida; uma benção que só serve para esse dia e que não se pode guardar nem desaproveitar.
Se não usamos este milagre hoje, ele vai se perder.
Este milagre está nos detalhes do cotidiano; é preciso viver cada minuto porque ali encontramos a saída de nossas confusões, a alegria de nossos bons momentos, a pista correta para a decisão que tomaremos.
Nunca podemos deixar que cada dia pareça igual ao anterior porque todos os dias são diferentes, porque estamos em constante processo de mudança.

Paulo Coelho

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publicado às 16:02


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